quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Qual a sua missão?

Os recursos da Terra estão se esgotando, o planeta se aquece, o desmatamento avança, as espécies vão se estinguindo. Tenho 45 anos, e provavelmente acabo de passar da metade da minha vida. O que já fiz? O que ainda vou fazer? Como justificar o investimento do planeta na minha existência, tanto nos 44 anos que já vivi, quanto nos 44 que virão? O que justifica minha existência é minha missão. Por causa de minha missão, mereço estar vivo.

Qual a sua missão? Qual a sua contribuição para este planeta, para as pessoas que ama? Passar pela vida sem saber qual a sua missão aumenta as chances de que não venha a cumpri-la.
Missão, para trazer felicidade, é a definição das ações que fazemos por amor. É aquilo que fazemos por algo que está além de nós mesmos. A natureza nos equipou com sistemas de recompensa para que façamos coisas por algo que está além de nós. São substâncias que, liberadas em nossos cérebros, causam prazer: dopaminas e endorfinas. São essas substâncias que nos permitem sentir amor e pensar e conceber um universo inter-dependente. Sentimos porque liberamos essas substâncias ou liberamos porque sentimos? Acho que funciona dos dois jeitos, que é um movimento só. Liberamos dopaminas e endorfinas para sentir o amor, o propósito, a conexão, e os sentimos porque liberamos. Sua missão deve liberar endorfinas e dopaminas em você.

Mas se os outros também perceberem sua missão conectando você e todas as coisas, eles também vão precisar de dopaminas e endorfinas, até mesmo para entender você. E nessa hora, essas substâncias vão causar também nos outros o sentido de conexão, de amor, de propósito. Assim, sua missão (se bem elaborada) conecta você e as outras pessoas. Sua missão deveria ser elaborada de tal maneira que os outros também achem que ela merece sucesso.

Conheça a minha missão. Veja como desenvolvi:

1) Parei para pensar nas minhas realizações passadas. Realizações foram as coisas importantes que fiz com muita satisfação. Essas coisas são objetivamente importantes para o planeta e subjetivamente importantes para mim.
  • Ser pai: A primeira delas, é ser pai. Acho importante admitir a dimensão pessoal na nossa missão. Não somos só profissionais. O ideal é que a profissão seja um caminho para a realização de nossa missão pessoal. Adoro ser pai, descobrir caminhos para a educação de minha filha. Ao ser um bom pai, contribuo intensivamente para a formação de uma pessoa (no meu caso). Essa pessoa poderá fazer o mundo melhor no futuro. Educar para fortalecer o potencial de transformação de minha filha. Veja como tenho me saído (link).
  • Promover o desenvolvimento comunitário participativo e sustentável: Algumas de minhas experiências mais prazerosas e importantes foram as vezes em que participei de projetos que apoiavam os mais pobres nos desafios de promover seu desenvolvimento e conservar a natureza ao mesmo tempo. Adaptei metodologias, apliquei, escrevi manuais e artigos. Isso tudo me deu muito prazer e acredito que foi importante para as comunidades com que interagi e para outros profissionais, e comunidades que eles ajudaram. Meus textos continuam por aí, sendo referência para outros trabalhos. 
  • Coordenar o maior programa de conservação do Planeta e outras realizações: Desafios grandes trazem sofrimento e prazer. Mas a realização que vem com sua superação é muito gratificante. Ao coordenar o Programa Áreas Protegidas da Amazônia - ARPA, e liderar muitos dos processos que tiraram ele do papel para uma execução considerada eficiente e eficaz, senti isso. Muitas de minhas realizações no ARPA são reconhecidas até hoje. O ARPA teve sua fase áurea, muitos reconhecem, e foi quando eu estava à frente. Meus defeitos da época hoje são reconhecidos como qualidades por vários de meus ex-parceiros de Programa. Para fazer dar certo, tive que ignorar alguns dos princípios de gestão participativa que eu mesmo recomendo. Ao mesmo tempo, acho que fui capaz de preservá-los onde foi importante para que os resultados aparecessem. Fui bem sucedido porque consegui, apesar de minhas limitações de temperamento e relacionamento (e às vezes por causa delas), construir um espírito de equipe e cooperação que envolveu várias instituições. Tive a ajuda de pessoas iluminadas, também de outras que me pressionaram no rumo certo. 
  • Essa não foi a primeira vez em que tive que fazer isso. Também foi assim quando no meu envolvimento com o processo participativo de proposição de uma reserva extrativista marinha em Itacaré, na elaboração dos planos de desenvolvimento das reservas extrativistas estaduais de Rondônia, na gestão do Projeto Arboreto da Universidade Federal do Acre, no Programa Radiofônico de Educação Ambiental Nave Terra, e na minha gestão cultural no Centro Acadêmico Luiz de Queiroz, em Piracicaba. Todas essas iniciativas envolveram coordenação de equipes multi-institucionais e multi-disciplinares, o desafio de lidar com situações complexas, a construção de identidades de projetos, comunicação e educação (com materiais educativos e publicações). 
2) Eu me questionei sobre o que constitui uma missão pessoal. Pesquisei na internet. Cheguei às idéias que escrevi acima. Missão é uma declaração de propósito para um objetivo além de si mesmo, baseada em amor, capacidades, e prazer de fazer.

3) Fiz uma chuva de idéias sobre a minha missão. Já tinha feito isso em relação à minha empresa. A missão de minha empresa é promover a efetividade e a participação nas iniciativas socioambientais. Mas a missão da empresa não continha o componente pessoal.

4) Lembrei-me de como gosto de pensar nas coisas, que gosto de olhar tudo de um jeito diferente, de ser original, de perguntar não só "por que?" mas também "por que não?".

5) Pensei no mundo que desejo ajudar a criar, que inclui não somente uma visão de sustentabilidade e igualdade, mas também uma visão de liberdade e verdade, sendo a verdade a fonte da liberdade. A ousadia de criar requer o espírito livre. Devemos nos importar com os outros, gostar deles, e não temê-los. A liberdade implica em não se importar com o que não é importante, não ser hipócrita, encarar as verdades sobre as possibilidades da vida.  

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