terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Faça da vida o que você gosta, mas goste da sua vida

Neste vídeo se reflete sobre o ideal ocidental de realização por meio da escolha de um caminho profissional que seja o que mais se gosta. Começa perguntando "o que você faria se dinheiro não fosse importante?" e termina assim "o que eu desejo?"

Eu sempre defendi isso, mas não sei se é a idade, um conformismo que vai se ganhando, ou se é um amadurecimento, mas já não defendo isso de uma forma tão absoluta. Temos 7 bilhões de pessoas na Terra e um mundo que não comporta que todos sigam seus sonhos. Temos que admirar quem consegue, mas temos que investigar se isso os torna fundamentalmente mais felizes do que quem vive uma vida normal. Apesar de o vídeo dizer que a sociedade ocidental enfatiza o dinheiro, talvez o problema seja que a sociedade enfatiza o dinheiro e a realização, os dois, ao mesmo tempo, o que nem sempre é compatível. Especialmente se a realização só puder ser alcançada pela realização de um sonho, e não pelo alcance de um contentamento com o que se tem.




Parece a mesma contradição que é introduzida pelo ideal do amor romântico e da família, ao mesmo tempo. O amor romântico não dura muito tempo, a família sim, ou deveria. As pessoas que buscam as duas coisas ao mesmo tempo tendem a se frustrar. Em sociedades em que o casamento não é baseado no amor romântico, as pessoas tendem a se amar mais com o tempo, e o amor geralmente não acaba. Sabemos que na nossa sociedade, o amor está em crise, e junto com ele, a família.

A sociedade ocidental cria muita infelicidade e decisões trágicas e precipitadas ao enfatizar coisas geralmente contraditórias, como a realização do sonho extraordinário e idealista ao mesmo tempo que ganha dinheiro, o amor romântico ao mesmo tempo que a família, a juventude e a beleza ao mesmo tempo que o valor interior de cada um.

E o que dizer das contradições de quem busca o máximo em tudo ao mesmo tempo: dinheiro, realização, amor, família, juventude e beleza, e valores interiores? Como não admitir o idealismo exacerbado dessa fórmula? Vai viver frustrado.

É preciso aprender estar contente no presente, com o que se faz, com quem se ama, com quem se é. A sociedade nos vende a ideia de que poderíamos fazer outra coisa mais legal, que não tem nada de chato, que há algum lugar ideal para trabalhar. Não existe isso. Tudo bem, há lugares, pessoas e empregos insuportáveis. Livre-se deles. Mas devemos saber valorizar o que há de bom na vida: trabalho, pessoas e lugares, e ficarmos gratos por tudo o que pode não ser o sonho, mas que é bom!

A pergunta não deve ser, como no vídeo, "o que desejo?", mas sim "o que gosto na minha vida? o que tenho sorte de ter ou fazer? o que há de especial, raro e lindo na pessoa imperfeita que está ao meu lado?"

Pensando bem, o vídeo fica bem bobo quando se pensa na possibilidade de se estar contente com o que se tem.  

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